
EUA estão prestes a atingir a maior média de tarifas desde a década de 1940
Os Estados Unidos pegaram os investidores desprevenidos. Em breve, o governo Trump poderá impor tarifas como o mundo não via há quase um século. Analistas sugerem, com cautela, que o país caminha para as taxas tarifárias médias mais altas. Desde a Segunda Guerra Mundial, os EUA não viam níveis tarifários tão altos, o que levanta preocupações sobre um possível retrocesso no comércio internacional.
Inicialmente, a expectativa era de um aumento modesto, entre 5 e 7,5 pontos percentuais em 2025. No entanto, as projeções dobraram, chegando a expressivos 10-15 pontos percentuais.
Até o momento, a Casa Branca já impôs tarifas de 20% sobre importações chinesas relacionadas ao fentanil, um poderoso opioide, além de tarifas de 25% sobre aço, alumínio e determinados produtos do Canadá e do México que violam o acordo USMCA.
Especialistas estimam que as medidas atuais já elevaram a carga tarifária em cerca de 6 pontos percentuais. Em 2 de abril, uma nova rodada de tarifas entrará em vigor, afetando ainda mais setores da economia.
Diante desse cenário, a economia dos EUA se prepara para um grande desafio: os preços das commodities devem subir, enquanto o sentimento empresarial pode deteriorar-se significativamente. Analistas alertam que a política comercial protecionista pode reduzir o crescimento econômico dos EUA em cerca de 0,5 ponto percentual, além de pressionar a inflação na mesma magnitude.
A Reserva Federal, por ora, deve adotar uma postura de espera, mas o mercado observa com cautela. Mudanças abruptas no sentimento dos investidores tendem a gerar volatilidade.
O impacto não será sentido apenas nos EUA. China, União Europeia, México, Vietnã e Japão — que já preveem retaliações — serão os primeiros atingidos. Setores como o automotivo, farmacêutico e de semicondutores estão na mira das novas tarifas.
O sentimento econômico já se deteriorou. O índice de confiança do consumidor e os indicadores de pequenas empresas vêm recuando nos últimos meses, refletindo a crescente incerteza política. O otimismo pós-eleitoral entre consumidores e fabricantes também vem se dissipando gradualmente.
Ainda assim, há alguns pontos positivos: apesar da escalada tarifária, o emprego nos EUA continua elevado, com taxas de desemprego em níveis historicamente baixos. O consumo desacelerou ligeiramente, mas o mercado de trabalho segue resiliente. No geral, a economia americana tem demonstrado uma notável capacidade de adaptação.